2007-07-20

Le D.I.Y. 4x5

frame001

Decidi arrancar sem grande planeamento prévio, mas o suficiente para saber o q se está a passar, da maquina monorail 4x5! Estive algum tempo no AKI a fazer compras de alguma madeira e ferramenta para usar no processo; Vai ser divertido!

Também iniciei um thread no Fotosensível para documentar o processo e partilhar e discutir com colegas opções e dúvidas. Está numa área do forúm aberto ao publico, portanto todos devem ter acesso. Relembro que o Fotosensivel (FS) tem um "trial period" de 15 dias gratuito, para quem quiseres experimentar antes de se inscrever.

Ontem ocnsegui um back polaroid 545 (é de 4x5") no ebay, portanto essa falha fica colmatada. Falta só a(s) lente(s). Se alguém tiver uma 210mm disponível, ou mesmo uma 150 ou 180, avisa!

2007-07-17

Muita coisa com que perder umas boas horas!

Hoje foi um pouco louco - encontrei e apareceu-me tanta coisa interessante q secalhar não conseguirei divulgar tudo convenientemente Aqui vai:

MarioNogueria.com

O blog do Mário apareceu-me via um comment que ele colocou no post do DIY de Grande Formato. E ainda bem que apresentou o seu blog, que é muito bom e uma leitura interessante. Recomendo vivamente a leitura do post e links associados do Aberturas, Difracção e DOF.

Aprender a olhar

O Saisdeprata-e-pixeis de Madalena Lello tem um posto muito interessante hoje dedicado ao fenómeno da percepção intitulado "Aprender a Olhar" Este é um dos temas que em tempos tentei aprofundar, se bem que apanhei apenas levemente. Mas é de facto interessante tentar entender o fenómeno, incluindo o Gestalt.

29 Palms, CA

Da newsletter da unsaleable.com vem a noticia do trabalho de Stefanie Schneider - o futuro filme "29 Palms, CA". O filme terá como base principal Polaroids, que é a base de trabalho principla da fotografa, e incluirá Super8 e 16mm. Muito interessante a ideia, e lindíssimo o trabalho dela!

Aperture.org

Um dos livros que me chegou hoje (já irei referir) vinha com publicidade da revista Aperture. é publicada 4 vezes ao ano e perece ser MUITO boa. Cara, mas muito boa. Espero conseguir encontrar uma edição em momento oportuno para ver. a assinatura anual é cerca de $60.

Livros novos!

Hoje chegaram 3 livros novos, e espero poder falar melhor deles nos próximos dias:

  • Image Makers, Image Takers - Encontrei esta há dias na FNAC de Gaia e n levei na altura n sei bem porquê... (talvez o preço?). Mas decidi posteriormente encomendar. Em um livro com entrevistas a fotógrafos, editores, e curadores procurando ver o q os motiva e inspira. Conta com entrevistas a LaChapelle, Salgado, Von Unwerth, Alec Soth, entre muitos outros. Já li, claro, o de LaChapelle. Adorava que fosse mais longo, mas pelo menos assim não é cansativo de ler.

  • Guy Bourdin - tenho um numero limitado de livros de autor. Um dos que queria ter na colecção era Guy Bourdin, que foi um importante fotografo dos anos 70 em moda. Do pouco trabalho que tinha visto até hoje, gostei imenso. Agora tenho algo que posso usar como referência.

  • Diane Arbus - depois de falar sobre as imagem dela no blog, procurei mais sobre a autora e encontrei este livro. 80 imagens dela. Muito interessante. Já dei a primeira vista de olhos e sei que merece o olhar atento.

    One Minute @

    O One Minute @ é um novo projecto do meu amigo Paulo Carrasco. "An ordinary guy with some minutes to share". O conceito é muito engraçado, e espero ver a continuidade do projecto!

  • Sucata

    sucata_correct_117

    Eureka!

    normaloption

    Graças ao grande amigo Paulo Carrasco, encontrei finalmente a opção de manter as marcas da película na imagem scanada, no software da Epson! Basicamnete, ela anda escondida. No botão de preview, tem uma seta memso ao lado, q é um botão novo, e que apresenta um menu em que os thumbnails estão seleccionado. Bsta (é tãããããoooooo simples) seleccionar o modo normal, e a janela preview passará a mostrar toda a área iluminada pelo scanner. That simple!

    citando: "...borrego :D não lês os manuais! :D"

    Scans de processos cruzados

    Acho que posso contar pelos dedos o numero de vezes que consegui uma imagem decente com o processo revelado com o processo cruzado. E sobretudo penso que se trata de problemas de processo.

    O processamento cruzado tem por base a revelação de película em química "inadequada", nomeadamente a revelação de película de slides (positivos que requer químicos do processo E-6) em químicos usados para revelar negativos a cores (processo C-41). Na realidade o processo funciona, no entanto o resultado é um negativo. E dependendo da película, esta terá uma core base diferente da habitual laranja/castanho dos negativos a cores. No caso do Fuji Astia, o resultado é um negativo verde.

    Deste modo, apesar de termos uma imagem presente, temos as cores trocadas e contrastes alterados. Tradicionalmente, a impressão seria feita normalmente no laboratório, como para um negativo, mas com um ajusto de filtragem mais trabalhada para tentar aproximar as cores. E os resultados tendem a ser fabulosos, com cores ricas e fortes.

    Scanar é que mais "doloroso" em termos de processo. O facto prende-se que a generalidade do software procura a cor alaranjada da película para corrigir,e como não o encontra, os resultados são... esquisitos. E os softwares do scanner geralmente não tem uma opção de escolha para o ajusto automático das cores, porque não existe propriamente um ajusto correcto - a química destruiu essa opção, basicamente. Mesmo assim tem de haver uma forma de obter resultados minimamente satisfatórios para preparar a restante edição. Numa pesquisa, encontrei este thread no fórum do photo.net com uma sugestão de scanar como se fosse película preto e branco. Decidi experimentar e fazer comparações.

    cross_posScan
    cross_negScan
    cross_bwScan

    As três imagens em cima são as previsualizações para scans como película positivo, negativo e preto e branco, respectivamente. À esquerda são scans sem qq ajusto de cor ("reset" no software da Epson) e à direita é o scan com o ajusto automático. Como é visivel, como positivo temos a película no seu estado original - verde! Como negativo de cores, é feito um ajusto automático e que reforça em muito o contraste. O scan a preto e branco, ignora o cast alaranjado, e a correcção é mais ténue, mas mais "flat". O típico dos negs neste caso é a existência de uma componente arroxada em toda a imagem, ou pelo menos muito notável nos céus azuis fortes, especialmente nas transições.

    cross_bwAdjust

    Seguindo as indicações do post, efectuei os ajustes de pretos e highlights e gama (o que não é nada fácil na janela tão pequena do preview do Epson Scan). Efectivamente melhorou a imagem. Um contraste mais forte e uma ligeira saturação (10) finalizou o processo de ajusto para o scan (imagem de cima). A imagem scannada dava efectivamente uma boa base de arranque para a restante edição.

    No entanto decidi experimentar, parralelamente, outra ideia. E se scannado o negativo como positivo ou como negativo ou como película preto e branco, fizesse os restantes ajustes no PS, sobre a imagem base? O Neg é uma opção horrível - é muito difícil de efectuar os ajustes (pelo menos sem correcção automática).

    No caso da imagem positiva (verde) a imagem produzida ficou muito claro e arosado. Aplicando ajustos no histograma (ponto preto, e ponto branco), apareceram as cores "correctas" (ou pelo menso muito próximo do que poderia esperar). Duas curvas ajustaram o contraste para o seguinte resultado:

    cross_posPSadjust

    Um dos problemas do Epson scan, e que considero grave, é q o crop é sempre automático. É util, mas volta e meia há uma imagem da qual o software não consegue detectar correctamente, e é recortado demasiado da imagem. Nesse aspecto, o Silverfast é muito mais atractivo, e até permite manter as margens! Neste caso esse problema surgiu com a versão positiva...

    A outra tentativa foi com a versão scannado como preto e branco (a 24bits de cor).O processo ignora a inversão das cores, visto que já está correctamente colorido, e restringe-se à correcção de tons - levels para corrigir o ponto negro e curvas para o contraste. A curva do Cross-process do PS3 n resulta, infelizmente. duas curvas com o preset "Strong Contrast" resulta bem. O resultado com uma e duas curvas, respectivamente:

    cross_bwPSadjust
    cross_bwPSadjust2sc

    Com 2 curvas aplicadas, é possível que o contraste esteja demasiado agressivo. tem piada ver que com um black and white aplicado (e filtro azul, e amarelo ajustado) a coisa tb fica engraçada!

    cross_bwPSadjustBW

    2007-07-15

    Freelance Switch

    Freelancing, geralmente, não é fácil. E ter informação, muita informação, nunca é demais no auxilio da manutenção do negócio.

    Ainda hoje estive durante algum tempo a colocar uma resposta a uma pergunta sobre freelancing, no forum do Fotosensivel. Deixei lá um post extenso, essencialmente com as coisas que aprendi no último ano - não só com os erros cometidos, mas também com as dicas que aprendi lendo alguns blogs e livros - nomeadamente a do John Harrington e do Dan Heller, como também da experiência de amigos a trabalhar na área.

    Enquanto procurava um famoso posto sobre os preços praticado (top ten signs you may be charging too little), aprecebi-me que o site onde estava era dedicado ao tema de freelancing e tem muita informação útil. Para quem estiver na situação de freelancer, o site FreelanceSwicth.com pode ser uam ópitma fonte de informação auxiliar ao negócio. Muito útil também é a ferramenta de cálculo de honorários. Merece a visita contínua!

    2007-07-13

    D.I:Y. de Grande Formato

    kirby45

    Grande formato, especialmente o 4x5", é algo em que gostava de me aventurar. Cada vez que olho para imagens produzidas neste formato, especialmente as Polaroids, fico entusiasmado com a ideia de poder experimentar.

    Uma das opções, e viável, é a construção de cameras de grande formato. Há designs muito simples e eficientes, que permitem uma grande variedade de movimentos. Geralmente a única peça que tem de ser adquirido é a lente e por vezes o fole e os backs.

    Neste momento estou a ponderar seriamente me aventurar neste tipo de "puzzle". Já tenho um back de Polaroid 3-1/4" x 4-1/4" que usei para fazer o pinhole para Polaroids de médio formato. Este back é efectivamente para ser usado em maquinas 4x5" - adapta-se á maquina, mas usa papel num formato ligeiramente menor.

    Pela web, há muita informação sobre a construção deste tpo de máquinas. Há inclusive kits comerciais, nomeadamente o da Bender e o Bulldog (disponível no site da lomography por menos de €300). Mas construir, apesar de ser um processo relativamente demorado, sempre torna o mecanismo mais pessoal.

    Anyway, o que queria realmente apresentar neste post é o site produzido por Rayment Kirby, dedicado à construção de máquinas de grande formato. É, sem dúvida, a melhor apresentação que já vi num site deste género, e o texto tem muita informação útil que deve ser lida com atenção, por quem pretender realizar algo do género.

    Outra fonte importantíssima de informação é o site do Jon Grepstad com uma enorme quantidade de informação e links.

    Microsoft Prophoto

    ms

    A Microsoft produziu um site bastante atractivo ligado à fotografia profissional. O site do Microsoft Professional Photography contém uma série de artigos dedicados ao workflow de alguns profissionais, como os aplicados pela revista Sports Illustrated num jogo de basket (é extraordinário os meios empregues) e da National Geographic, artigos sobre questões técnicas de workflow, gestão de cor e backups, e galerias de profissionais seleccionados e biografias associadas. Merece uma visita pela qualidade da informação que apresenta!

    2007-07-12

    entrevista a Tod Papageorge


    O blog do fotografo Alex Soth tem dado especial atenção ao trabalho de Tod Papageorge, esta semana. Hoje foi publicado uma entrevista ao autor, e uma leitura interessante.

    A motivação? A edição do novo livro de Papageorge - Passing Through Eden - despertou a curiosidade em Alec para descobrir mais sobre o Papageorge. Há toda uma série de posts sobre o autor, apresentando imagens, e textos relacionados, desde os paralelos com Winogrand e Friedlander (que eram amigos), à sua ligação à poesia e a morte de Szarkowski.

    2007-07-09

    Polaroids

    Há algo de cómico em bloggar. Assim que coloco um post, consigo imaginar mais meia dúzia de potenciais posts. Como este...

    No ultimo post falava de Denis Felix e o seu trabalho em Polaroids. Imediatamente lembrei da grande fonte e informação que é o site da Polaroid. Além da informação tecnica sobre as várias emulsões, há a tão importante secção "Creative". Esta secção é virada para os artistas que utilizam Polaroid, os seus trabalhos, e técnicas de uso das Polaroid como meio criativo. Há muita informação muito boa sobre os produtos e técnicas de manipulação.

    Também nesta secção encontra-se o P Magazine, revista on-line dedicada à Polaroid e artistas que a usam, e que infelizmente acaba na sua 28ª edição. É pena que tenha acabado, pois eram apresentados muitos e bons autores. Nesta ultima edição destaco o trabalho de Polly Chandler, uma estudante finalista de fotografia, e que utilizou Polaroid 55 (4x5) na sua tese.



    A combinação grande formato e Polaroid é tão fabuloso. Basta olhar para as imagens. É o formato, a perspectiva, e a profundidade da focagem que se pode impor na imagem, e que por si só traduzem uma imagem agradável. Depois é a própria qualidade da Polaroid - a gama tonal que apresenta, o "efeito" de moldura que a descolagem impõe. É bonito, e único. E tudo isso,aliado à visão do autor, traduzem um fabuloso veículo de comunicação de emoções. é algo extremamente visível em retratos. A Polly demonstra-o bem.

    Unsaleable
    A próxima paragem pós inspiração foi ao site Unsaleable. É um genéro de loja on-line "especializada em Polaroid. Tem diversos especiais para o formato 600 e SX-70, com papeis enfeitados e afins. Também vendem as peliculas principais - o 55 (preto e branco formato 4x5"); e o q me mais interessa no momento - o 665.

    O 665 é uma película preta e branca de 3-1/4" x 4-1/4". É a dimensão do papel usado nos backs Polaroid para o médio formato, principalmente. Há, no entanto, backs para máquinas 4x5" mas que aceitam papel destas dimensões. Qual a vantagem? Possibilidade de usar um papel/filme de grande qualidade numa grande formato, mas a um preço bem mais reduzido, pois o papel é mais pequeno (e que, contrário ao 55 que é carregado folha a folha no holder, suponho, o 665 vem em packs). Semelhante ao 55, o 665 também produz um positivo em papel e um negativo em película, de óptima gama tonal, e reutilizável para contactos e ampliações. Infelizmente a Polaroid cessou a produção portanto o que existe os últimos packs. Pelo menos a 55 ainda não acabou...

    2007-07-08

    Denis Felix



    Já corri uma dezena de revistas do conjunto. Sem duvida nenhuma que a edição mais interessante até agora foi #314 (Out.'94). Um especial de moda com abundância de Thierry Le Gouès, Herb Ritts, Jean Loupe Sieff, Lilian Bassman (que desconhecia e gostei), e especial atenção ao Richard Avedon. Também da para reparar na importancia dalgumas modelos na época - Linda Evangelista, Kate Moss, Nadja Auerman, Cindy Crawford e a Claudia Schiffer.

    Mas neste post queria referir o Denis Felix. O trabalho dele aparece na #312 (Jul.-Ago '94). Denis é um fotografo que trabalha essencialmente com Polaroids no formato 4x5". Além de algum historial do fotografo (em francÊs, mas relativamente compreensível) é mencionado o "modus operandi" do Denis - camera Linhof Technika IV (4x5"), objectivas Symmar 210mm/f5.6 e 135mm/f3.5 (equivalente a 85mm e 45mm no formato 35mm), filmes Polaroid 55 expostos a ISO 40, com exposições que rondam nos 1/10-1/50s e aberturas de f5.6-f8. As Polaroid 55 são óptimas pois, além da imagem fixa em papel, ainda oferecem um negativo de grande qualidade e reutilizável.

    Há muito que gosto do trabalho em Polaroid e que apetece experimentar (falta é o 4x5" e algum dinheiro para investir nos filmes). Mas um dia hei de experimentar. Para já vou apreciando as imagens de autores como o Denis que conseguem criar excelentes retratos com o formato!

    2007-07-07

    Today was a good day...

    Lembrando o título da musica do Dr. Dre, hoje foi um dia interessante por dois motivos, principalmente. Primeiro, finalmente tenho som no meu veiculo. Já não preciso andar com o auscultador do mp3 no ouvido.

    Segundo, recebi uma encomenda "especial" - 53 edições dos anos 90 da revista PHOTO. Andavam no Miau umas 30 e a vendedora ainda tinha algumas a mais por lá. Há revistas até dizer chega! Agora, já só faltam umas 300+ para ter a colecção completa. É natural que eu venha postar sobre algumas imagens encontradas e/ou edições. :P

    2007-07-06

    Pontosi

    Hoje recebi do meu colega e fotog Paulo Carrasco (vejam o novo projecto dele!) um link para um site/loja online "novo" - o Pontosi. é um aloja de informática e fotografia, mas tem uma grande gama de produtos de iluminação, coisa rara de se encontrar em Portugal, ainda por cima, na web!

    A iluminação disponível é, na generalidade, produtos genéricos do género encontrado no Ebay, como nas lojas Ebay da Wallimex (alemã). São óptimas para quem procura um kit de iluminação de estúdio eficiente e sem gastar muito dinheiro. Também serve pelos acessórios, como as sombrinhas, para quem quer seguir os métodos Strobist e usar flashes compactos.

    Verdade seja dita, se procuras luz de estúdio, e não estás disposto a investir no material de topo - Profoto, Broncolor, Bowens, Elincrohm, etc. (que geralmente são mais rápidos, e mais robustos e mais potentes.. e mais caros! muito mais caros!) - este é o caminho. Conheço várias pessoas que tem kits do género e estão satisfeitos. Os pontos negativos deste tipo de flash é apenas ser um produto menos robusto, e mais lento (pode demorar de 2 a 5 segundos a recarregar, ao invés do <1 segundo de uma cabeça Profoto ) mas em contrapartida, consegues obter um kit completo ao preço de um acessório dos outros. Antes encontrava um outro defeito que era a limitação de acessórios, mas isso já não e problema! Alguns acessórios de iluminação até tem adaptação a sistemas de outras marcas.. talvez encontre o produto que já há algum tempo procurava. Eu para já vou vendo as caixas...

    2007-07-01

    Como lemos uma imagen?



    Acabei de ler o segundo capítulo o The Photograph de Graham Clarke. O título é idêntico ao deste post - "How de we read a photograph". Achei este capitulo muito interessante (é uma leitura relativamente "pesada" mas se tomado bem a atenção é enriquecedor).

    "Longe de ser um 'espelho', a fotografia é um dos modos de representação mais complexos e problemáticos. (...) Necessitamos de não só ver a imagem, mas lê-lo como uma representação activa de uma linguagem visual. (...) temos de nos lembrar que primeiramente é um produto do fotografo. É sempre uma reflexão de um ponto de vista específico (...). Segundo, no entanto, a fotografia codifica os termos de referência com que moldamos e compreendemos o mundo tridimensional. Portanto existe dentro de um contexto de referência mais alargado e relaciona-se a uma longa série de histórias (...)"

    O autor passa então a utilizar a imagem de Diane Arbus "Identical Twins" (1967) como exemplo. Apesar de ser uma imagem que à primeira vista parece simples e imediato - uma fotografia de gémeas verdadeiras - a imagem é na realidade um bom exemplo "da natureza difícil do significado fotográfico".

    À partida, a noção de gémeas verdadeiras sugere a semelhança entre as duas miúdas, quase espelho uma da outra. Esta noção também reforça o conceito da fotografia como um registo documental, o espelho daquilo que vemos. "Uma gémea é o reflexo da outra. Mas 'idêntico' infere 'identidade' e o retrato do ser limitado à presença superficial de uma única imagem. Os dois aspectos abrem uma lacuna crítica entre o que 'vemos' na fotografia o que é nos pedido para 'visualizar'.

    A colocação das gémeas contra um fundo uniforme e sem qualquer informação para contextualizar, quer a época, que a condição social, retira-nos a possibilidade que colocar os sujeitos num contexto. Arbus neutralizou efectivamente o 'espaço' e 'tempo', e portanto os termos da sua existência. (Este método também é típico de outros fotógrafos, como o Richard Avedon, o que limita a visualização ao retratado e o que a superfície do retratado nos transmite).

    O elemento que nos dá uma base de introduzir a analise é efectivamente o caminho que vemos na parte de baixo da imagem, e que corre a um ângulo. Isso reflecte a abordagem da Arbus ás gémeas - a foto não via ao encontro das gémeas de uma forma paralela a elas, as olha para elas algo de lado. "Então aquilo que a imagem começa a reflectir é que, como uma linguagem, o seu significado funciona não através das semelhanças, mas através das diferenças". E são as diferenças que nos dão a identidade. Quanto mais olhamos para a imagem, mais diferenças encontramos - uma está com o sorriso e feliz, a outra esta entristecida; os narizes são diferentes; as golas tem formas diferentes; as dobras dos vestidos são diferentes; as sobrancelhas, as fitas do cabelo, a forma do cabelo, o comprimento dos braços.. diferentes. E quanto mais olhamos, maior o numero de detalhes que encontramos que aumentam a tensão. Contrário ao titulo, as gémeas não são idênticas, mas sim diferentes, e portanto cada uma com uma identidade própria!

    Clarke continua no capítulo referindo Barthes e o ensaio "Camera Clara" e a visão deste sobre a leitura de imagens. "(...) ele identifica dois factores distintos no nosso relacionamento com a imagem. (...)studium sugere uma resposta passiva (...) mas punctum permite a formação de uma leitura crítica. Um detalhe na superfície perturba a unidade e estabilidade superficial, e como um corte, inicia um processo de abertura a uma analise crítica. Logo que encontramos o nosso punctum, tornamo-nos leitores activos da imagem. (...) O punctum permite-nos desconstruir, por assim dizer os [seus] termos de referencia, e alerta-nos para o facto que a fotografia reflecte o modo como vemos o mundo em termos culturais.

    Procurar no nosso "punctum" (palavra estranha, né?) será efectivamente aquilo que nos permite fazer uma leitura crítica de uma imagem. Por vezes aquilo que nos pode parecer banal, correctamente contextualizado e lido, pode abrir a nossa visão para algo mais alargado, e a visão que se pretende ter da imagem à nossa frente. Mas isto também leva-me a pensar sobre o mesmo conceito, mas antes de produzir a imagem. Será que o fotografo consegue encontrar o "punctum" na cena que está a retratar de forma consciente? De continuamente o encontrar e o utilizar nas imagens que produz? Hmm...

    2007-06-29

    Go Skateboarding Day - Carlos Santos



    Lembro-me de quando comecei a visitar o skatepark de Ovar, e nos vários eventos de skate na região, havia um fotografo constantemente presente, e que era o ovarense Carlos Santos. Durante esse tempo tornei-me amigo do Carlos, com o qual, mais que a fotografia, o skate é a maior ligação.

    O Carlos tem estado muito activo na revitalização do parque de Ovar, e em conjunto com a organização do "Go Skateboarding Day" de Ovar, ele produziu uma exposição fotográfica, com alguns dos melhores e mais importantes momentos da vida do skatepark, que conta com imagens de importantes skaters do panorama nacional e internacional. É um registo importante do espaço e da cidade.

    A exposição está presente no café/bar paralelo 38, e presente até ao dia 19 de Julho.

    Through my eyes

    Cartaz para a net

    O meu colega José Carlos Nero abre uma nova expo, em Sesimbra, dia 7 de Julho, no Espaço Atlântico de Sesimbra. A exposição conta com cerca de 30 imagens dos últimos 4 anos e estará em amosta até ao dia 22 de Julho.

    Segue uma pequena entrevista que efectuei ao Nero para este post:

    "O que tem sido para ti a fotografia, nestes quatro anos?"

    JCNero - Foi em 2004 que descobri esta grande paixão, foi como "nascer" outra vez. Desde então posso dizer que cada vez gosto mais de fotografar e que tenho uma enorme necessidade de o fazer. E o melhor de tudo é que sinto-me muito bem quando o faço!! Quando estou naquele ambiente é com se estivesse numa liberdade total. Enfim, adoro isto!!

    "Grande parte do teu trabalho é ligado ao mar e à paisagem litoral. Porquê a escolha deste tema para as tuas imagens?"

    JCNero - O mar sempre esteve presente em mim. Nasci numa terra de pescadores (Sesimbra) e a minha relação com o mar sempre foi constante. Transmite-me muita calma e muita serenidade. É este o poder que o mar tem em mim e de certa forma é isso que eu tento também transmitir ás pessoas quando vêem uma fotografia minha.

    "Esse sentimento é a razão da escolha do P&B?"

    JCNero - Pois… o P&B, é uma coisa difícil de explicar, apenas posso dizer que gosto muito desses tons monocromáticos, toca-me muito mais uma fotografia a p&b, identifico-me bastante, é muito mais intimista! O p&b transmite essa calma e serenidade bem melhor.

    "Que pretendes com esta primeira exposição?"

    JCNero - Pretendo dar a conhecer ás pessoas a minha maneira de ver tudo o que me rodeia, daí também o nome da exposição “Though my eyes”. Esta exposição é uma mostra de parte do meu trabalho desde o início desta minha grande paixão

    "A expo marca o fecho de um ciclo para dar inicio a novo ciclo, ou pretendes aprofundar mais os temas em que te aplicaste nos últimos anos?"

    JCNero - A exposição não marca o fecho de um ciclo. Antes pelo contrario, acho que vou aprofundar e desenvolver mais nos temas que tenho andado a fotografar. Claro que também tenho outros temas em mente, algo mais inovador, mas isso fica para uma, quem sabe, e outra expo...

    Web: http://www.jcnero-fotografia.pt.vu/
    Blog: http://jcnero.blogspot.com/

    Reflectir.. sobre leilões fotográficos

    O Sérgio Gomes, autor do blog Arte Photoraphica e um dos blogs fotográficos que sigo via RSS, colocou um post interessante sobre o fenómeno dos leilões fotográficos em Portugal, que passo a citar:

    O crítico do semanário Expresso Jorge Calado escreve na última Actual (23 de Junho) um texto de reflexão sobre o fenómeno dos leilões de fotografia em Portugal. O professor de química do Técnico lamenta a escassa oferta no mercado (?) de fotografia em Portugal justificada pelo "desprezo" a que está votado o património. Para Calado, os três leilões já realizados pela Potássio Quatro demonstraram que existe por cá "não um, mas vários públicos para a fotografia", razão pela qual os lotes postos à venda são tão diversificados. Do lado das áreas com menos futuro, segundo Jorge Calado, estão as cartes-de-visite, monarquia, memorabilia e Estado Novo. Já os lotes históricos, os relacionados com África, o fotojornalismo e os livros estão em alta. O crítico refere-se depois à falácia das "edições limitadas" da imagem fotográfica e explica como, normalmente, esta manobra é usada como artifício para fazer subir a cotação de determinado autor.
    Jorge Calado aponta a internacionalização como um dos aspectos mais positivos dos leilões da Potássio Quatro (mais de 50 por cento dos lotes foram para o estrangeiro) e sublinha a importância da venda do retrato de Fernando Pessoa (2º leilão, por 9775 euros) e do livro Lisboa: Cidade Triste e Alegre, de Victor Palla e Costa Martins (3º leilão, por 3047 euros).
    E, por último, deixa esta pista:

    “No mundo da fotografia, um dos desenvolvimentos recentes mais surpreendentes é a emergência da fotografia anónima e espontânea, dita vernácula. Já chegou ao museu e à galeria especializada. Se uma imagem é boa e desperta interesse é arte; se, além disso, for também um documento, tanto melhor; o resto é especulação financeira.”


    E realemente me deixou a pensar. Senti necessidade de deixar um comment:

    Há realmente dois pontos que menciona (citando o autor do texto que infelizmente n li) que me puxaram a reflectir...

    1- "escassez de imagens". O (?) é mais que compreensível. Como é possível falar de escassez de imagem quando há tanta imagem a ser constantemente produzida? (Quase) Toda a gente sempre teve uma camera fotográfica e quase toda a gente continua a ter uma camera fotográfica (agora compactas digitais e telemóveis). É impossível falar de escassez de imagem. Se calhar foi retirada a menção a fotografia de qualidade, de processos antigos e/ou analógicos especificas (baseados em processos químicos clássicos), ou algum outro tipo de especificação... Será?

    2- "o resto é especulação financeira" - esta frase sumariza muita coisa. Algo que sempre me passou pela cabeça quando via os catálogos da P4 era "mas quem é que quer isto". Talvez não estivesse concentrado ou curioso o suficiente para descobrir as imagens e sua importância (a imagem em si e não propriamente o seu suporte), grande parte do que via não suscitava grande interesse. Reconheço que peço por não conhecer a história da fotografia portuguesa, e isso pode representar uma das falhas.

    Mas de qualquer forma fica a sensação que o comprador acaba por comprar a peça como um coleccionável, não necessariamente pela imagem que esta representada na fotografia nem o seu contexto histórico-cultural, que lhe interessa ou que toca directamente com a sua vivência, mas porque é uma fotografia de um determinado tipo, ou época, ou autor, qualquer que seja a imagem representada nela. Género se E.Weston tivesse fotografado uma pata de uma tartaruga, e um print muito mau se escapasse (totalmente desfocada, mal exposta, etc etc... que não tivesse leitura possível) será que vendia bem por ser um Weston, apesar de aquilo que continha nem o autor queria que alguém visse?

    Consigo compreender e aceitar que isso é possível e até considero válido, como por exemplo um alunos ou adepto de fotografia que queira ter na sua colecção um elemento de cada processo fotográfico existente, para poder ver os resultados dos processos (como menciona o Jeff Curto nos seus podcasts de história da fotografia), mas este tipo de caso seria algo raro. Não justificaria tão grande procura.

    Por outro lado há o aspecto de "autor morto". Como dizia um colega meu, Paulo Carrasco (www.paulocarrasco.com) "só vende bem obra de morto, por isso tira fotografias e depois morre :D". Será que é daí o interesse? O autor morto simplesmente é mais valioso? Não recordo com detalhe o conteúdo das ultimas edições dos leilões mas... quais as imagens mais recentes nesses leilões? Alguma coisa de impressões com base em imagens digitais? ou apenas processos "extintos". Há autores actualmente em acção, emergentes ou não, com obras no leilão? Há interesse do mercado nesse sentido? Ou prevê-se o surgimento desse interesse?

    Enfim, arte é arte, há todo um mercado (estranho e que não compreendo) à volta dela, e por vezes (ou geralmente) o dinheiro movimenta interesses estranhos. Se calhar por estar mais virado mentalmente para o lado de produção da imagem, em vez do colecciona-lo e entender o coleccionar da imagem, a ideia de pessoas comprar imagens sem ser pelo interesse do seu conteúdo ainda não está bem entendida e portanto mal aceite. Espero um dia entender!


    Talvez não faça muito sentido, mas será que faz?

    2007-06-28

    The Photograph

    the-photograph

    Ontem à noite passei algum tempo a ajudar o meu colega Victor Martins com um trabalho escolar. Como é habitual nos reencontros, há sempre um pequeno período de troca de novidades, nomeadamente os novos livros de fotografia que cada um tem. Ultimamente não tenho tido livros fotográficos novos para ler/ver. Ele, dado o curso que anda a frequentar, tem que ter novo material constantemente. Como é o caso do livro The Photograph: A Visual and Cultural History (Oxford History of Art) de Graham Clarke.

    Não se trata de um livro de portfólio de autor, mas sim um ensaio sobre a fotografia e a forma como a analisamos e lemos uma imagem. O autor, na introdução, menciona como ele tenta, neste trabalho, aplicar um método de leitura de imagem em que qualquer fotografia se possa inserir. É uma leitura da imagem que ultrapassa o fotografo e as questões técnicas. "... something which, as part of our everyday lives, seems so obvious and simple, and yet is endlessly complex...". Lembro-me de ler algures uma frase que dizia (traduzida): "numa sociedade tão carregada de imagens e estímulos visuais, os novos analfabetos serão aqueles que não sabem nem ler texto nem ler uma imagem...".

    Com tanta imagem a ser produzida hoje em dia, saber ler imagens, interpretá-las, é de elevada importância. Como fotógrafos, por vezes a nossa percepção da imagem é apenas a fotografia e aquilo que é mais técnico e estético da imagem (exposição, cores, composição). Por vezes esquecemos da leitura da sua inserção num contexto mais alargado. A leitura da imagem e não necessariamente do elemento físico da fotografia; do conteúdo e do seu significado em vez de o elemento físico e o seu suporte. ( Espero que isto faça sentido que é difícil por em palavras...). Espero que leitura deste livro me abra os olhos para uma leitura melhor de imagens!

    2007-06-27

    Direitos de autor

    Há dois blogs que acompanho já há algum tempo e que me tem ensinado muito sobre a área de negócio da industria fotográfica. São eles o blog do Dan Heller e o do John Harrington (principalmente este e o livro dele). Tenho aprendido muito quer sobre a colocação do preço, quer de protecção, quer sobre o licenciamento (não é que aplico sempre correctamente o que aprendia mas...).

    Entretanto hoje li o útlimo post no blog do fotografo Chase Jarvis sobre a sua batalha legal com a empresa desportiva K2, sobre o uso ilegal das suas imagens. Essencialmente, a empresa utilizou as imagens produzidas pelo fotografo fora do prazo estabelecido pelo licenciamento. Como não foi possível resolver a situação a bem, foi necessário usar os tribunais e felizmente o fotografo ganhou o caso.

    O que há de comun em todos eles é a menção do registo das imagens, indicando como propriedade intelectual/artístico do autor. Apesar da legislação (também a portuguesa) assinalar automáticamente o copyright ao autor da imagem, sem o registo da imagem, torna-se muito difícil a defesa dos seus direitos. E foi graças à existência desse registo que o fotografo conseguiu levar o caso em frente.

    Em Portugal, a instituição que resolve as questões de direito de autor é a SPA - Sociedade Portuguesa de Autores. Abrange todas as áreas artísticas, desde a música, ao cinema e artes plásticas, incluindo a fotografia. Segundo o FAQ:

    "O registo oficial das obras é efectuado na IGAC (Inspecção Geral das Actividades Culturais - telf. 21 321 25 00). No entanto se o autor desejar ser representado pela SPA para a protecção das suas obras (elaboração de contratos, protecção jurídica, cobrança e pagamento de direitos de autor, controlo das obras etc.), deverá para o efeito proceder à sua inscrição nos nossos Serviços de Atendimento ao Autor."


    A alternativa que existe é o Creative Commons, mas este é mais virado ao registo não comercial e não tem o apoio jurídico que a SPA oferece. Os sites da SPA e do IGAC merecem uma visita para obter a informação, estando os sites até bem completos a esse nível (mais que aquilo que esperava).

    2007-06-26

    Tiago Xavier



    Hoje fiz algo que já não fazia há bastante tempo (a sério). Estive a ver sites de comunidades fotográficas! O que há sensivelmente um ano era o dia-a-dia, ultimamente tem sido uma raridade. Em tempos alguns sites simplesmente perderam o interesse. Basicamente passei a visitar apenas o Fotosensível, que é o meu site preferido a nível de comunidade.

    Dois a que nunca liguei muito deixaram de existir - iso600 e fotografia-na.net; O 1000imagens continua igual, e o olhares parece ter evoluído em qualidade. Não estive neles muito tempo, mas dei uma vista de olhos sobre as galerias de retrato que digamos é o tema que prefiro ver. Foi nesta galeria que descobri o trabalho do Tiago.

    Os retratos dele saltam logo à vista. Não é o típico retrato de rosto meio cândido que TODA A GENTE posta nos sites (não é que seja mau... mas enfim...). Há muito mais que isso nas imagens. E o trabalho de cor e luz é excelente - fez me recordar algumas coisas do Jean Baptiste Mondino (pelo menos o aspecto geral de algumas imagens no livro "Mondino"). O site deste freelancer residente em aveiro merece, sem dúvida, a visita e apreciação do trabalho.

    http://www.tiagoxavier.com