2007-07-09

Polaroids

Há algo de cómico em bloggar. Assim que coloco um post, consigo imaginar mais meia dúzia de potenciais posts. Como este...

No ultimo post falava de Denis Felix e o seu trabalho em Polaroids. Imediatamente lembrei da grande fonte e informação que é o site da Polaroid. Além da informação tecnica sobre as várias emulsões, há a tão importante secção "Creative". Esta secção é virada para os artistas que utilizam Polaroid, os seus trabalhos, e técnicas de uso das Polaroid como meio criativo. Há muita informação muito boa sobre os produtos e técnicas de manipulação.

Também nesta secção encontra-se o P Magazine, revista on-line dedicada à Polaroid e artistas que a usam, e que infelizmente acaba na sua 28ª edição. É pena que tenha acabado, pois eram apresentados muitos e bons autores. Nesta ultima edição destaco o trabalho de Polly Chandler, uma estudante finalista de fotografia, e que utilizou Polaroid 55 (4x5) na sua tese.



A combinação grande formato e Polaroid é tão fabuloso. Basta olhar para as imagens. É o formato, a perspectiva, e a profundidade da focagem que se pode impor na imagem, e que por si só traduzem uma imagem agradável. Depois é a própria qualidade da Polaroid - a gama tonal que apresenta, o "efeito" de moldura que a descolagem impõe. É bonito, e único. E tudo isso,aliado à visão do autor, traduzem um fabuloso veículo de comunicação de emoções. é algo extremamente visível em retratos. A Polly demonstra-o bem.

Unsaleable
A próxima paragem pós inspiração foi ao site Unsaleable. É um genéro de loja on-line "especializada em Polaroid. Tem diversos especiais para o formato 600 e SX-70, com papeis enfeitados e afins. Também vendem as peliculas principais - o 55 (preto e branco formato 4x5"); e o q me mais interessa no momento - o 665.

O 665 é uma película preta e branca de 3-1/4" x 4-1/4". É a dimensão do papel usado nos backs Polaroid para o médio formato, principalmente. Há, no entanto, backs para máquinas 4x5" mas que aceitam papel destas dimensões. Qual a vantagem? Possibilidade de usar um papel/filme de grande qualidade numa grande formato, mas a um preço bem mais reduzido, pois o papel é mais pequeno (e que, contrário ao 55 que é carregado folha a folha no holder, suponho, o 665 vem em packs). Semelhante ao 55, o 665 também produz um positivo em papel e um negativo em película, de óptima gama tonal, e reutilizável para contactos e ampliações. Infelizmente a Polaroid cessou a produção portanto o que existe os últimos packs. Pelo menos a 55 ainda não acabou...

2007-07-08

Denis Felix



Já corri uma dezena de revistas do conjunto. Sem duvida nenhuma que a edição mais interessante até agora foi #314 (Out.'94). Um especial de moda com abundância de Thierry Le Gouès, Herb Ritts, Jean Loupe Sieff, Lilian Bassman (que desconhecia e gostei), e especial atenção ao Richard Avedon. Também da para reparar na importancia dalgumas modelos na época - Linda Evangelista, Kate Moss, Nadja Auerman, Cindy Crawford e a Claudia Schiffer.

Mas neste post queria referir o Denis Felix. O trabalho dele aparece na #312 (Jul.-Ago '94). Denis é um fotografo que trabalha essencialmente com Polaroids no formato 4x5". Além de algum historial do fotografo (em francÊs, mas relativamente compreensível) é mencionado o "modus operandi" do Denis - camera Linhof Technika IV (4x5"), objectivas Symmar 210mm/f5.6 e 135mm/f3.5 (equivalente a 85mm e 45mm no formato 35mm), filmes Polaroid 55 expostos a ISO 40, com exposições que rondam nos 1/10-1/50s e aberturas de f5.6-f8. As Polaroid 55 são óptimas pois, além da imagem fixa em papel, ainda oferecem um negativo de grande qualidade e reutilizável.

Há muito que gosto do trabalho em Polaroid e que apetece experimentar (falta é o 4x5" e algum dinheiro para investir nos filmes). Mas um dia hei de experimentar. Para já vou apreciando as imagens de autores como o Denis que conseguem criar excelentes retratos com o formato!

2007-07-07

Today was a good day...

Lembrando o título da musica do Dr. Dre, hoje foi um dia interessante por dois motivos, principalmente. Primeiro, finalmente tenho som no meu veiculo. Já não preciso andar com o auscultador do mp3 no ouvido.

Segundo, recebi uma encomenda "especial" - 53 edições dos anos 90 da revista PHOTO. Andavam no Miau umas 30 e a vendedora ainda tinha algumas a mais por lá. Há revistas até dizer chega! Agora, já só faltam umas 300+ para ter a colecção completa. É natural que eu venha postar sobre algumas imagens encontradas e/ou edições. :P

2007-07-06

Pontosi

Hoje recebi do meu colega e fotog Paulo Carrasco (vejam o novo projecto dele!) um link para um site/loja online "novo" - o Pontosi. é um aloja de informática e fotografia, mas tem uma grande gama de produtos de iluminação, coisa rara de se encontrar em Portugal, ainda por cima, na web!

A iluminação disponível é, na generalidade, produtos genéricos do género encontrado no Ebay, como nas lojas Ebay da Wallimex (alemã). São óptimas para quem procura um kit de iluminação de estúdio eficiente e sem gastar muito dinheiro. Também serve pelos acessórios, como as sombrinhas, para quem quer seguir os métodos Strobist e usar flashes compactos.

Verdade seja dita, se procuras luz de estúdio, e não estás disposto a investir no material de topo - Profoto, Broncolor, Bowens, Elincrohm, etc. (que geralmente são mais rápidos, e mais robustos e mais potentes.. e mais caros! muito mais caros!) - este é o caminho. Conheço várias pessoas que tem kits do género e estão satisfeitos. Os pontos negativos deste tipo de flash é apenas ser um produto menos robusto, e mais lento (pode demorar de 2 a 5 segundos a recarregar, ao invés do <1 segundo de uma cabeça Profoto ) mas em contrapartida, consegues obter um kit completo ao preço de um acessório dos outros. Antes encontrava um outro defeito que era a limitação de acessórios, mas isso já não e problema! Alguns acessórios de iluminação até tem adaptação a sistemas de outras marcas.. talvez encontre o produto que já há algum tempo procurava. Eu para já vou vendo as caixas...

2007-07-01

Como lemos uma imagen?



Acabei de ler o segundo capítulo o The Photograph de Graham Clarke. O título é idêntico ao deste post - "How de we read a photograph". Achei este capitulo muito interessante (é uma leitura relativamente "pesada" mas se tomado bem a atenção é enriquecedor).

"Longe de ser um 'espelho', a fotografia é um dos modos de representação mais complexos e problemáticos. (...) Necessitamos de não só ver a imagem, mas lê-lo como uma representação activa de uma linguagem visual. (...) temos de nos lembrar que primeiramente é um produto do fotografo. É sempre uma reflexão de um ponto de vista específico (...). Segundo, no entanto, a fotografia codifica os termos de referência com que moldamos e compreendemos o mundo tridimensional. Portanto existe dentro de um contexto de referência mais alargado e relaciona-se a uma longa série de histórias (...)"

O autor passa então a utilizar a imagem de Diane Arbus "Identical Twins" (1967) como exemplo. Apesar de ser uma imagem que à primeira vista parece simples e imediato - uma fotografia de gémeas verdadeiras - a imagem é na realidade um bom exemplo "da natureza difícil do significado fotográfico".

À partida, a noção de gémeas verdadeiras sugere a semelhança entre as duas miúdas, quase espelho uma da outra. Esta noção também reforça o conceito da fotografia como um registo documental, o espelho daquilo que vemos. "Uma gémea é o reflexo da outra. Mas 'idêntico' infere 'identidade' e o retrato do ser limitado à presença superficial de uma única imagem. Os dois aspectos abrem uma lacuna crítica entre o que 'vemos' na fotografia o que é nos pedido para 'visualizar'.

A colocação das gémeas contra um fundo uniforme e sem qualquer informação para contextualizar, quer a época, que a condição social, retira-nos a possibilidade que colocar os sujeitos num contexto. Arbus neutralizou efectivamente o 'espaço' e 'tempo', e portanto os termos da sua existência. (Este método também é típico de outros fotógrafos, como o Richard Avedon, o que limita a visualização ao retratado e o que a superfície do retratado nos transmite).

O elemento que nos dá uma base de introduzir a analise é efectivamente o caminho que vemos na parte de baixo da imagem, e que corre a um ângulo. Isso reflecte a abordagem da Arbus ás gémeas - a foto não via ao encontro das gémeas de uma forma paralela a elas, as olha para elas algo de lado. "Então aquilo que a imagem começa a reflectir é que, como uma linguagem, o seu significado funciona não através das semelhanças, mas através das diferenças". E são as diferenças que nos dão a identidade. Quanto mais olhamos para a imagem, mais diferenças encontramos - uma está com o sorriso e feliz, a outra esta entristecida; os narizes são diferentes; as golas tem formas diferentes; as dobras dos vestidos são diferentes; as sobrancelhas, as fitas do cabelo, a forma do cabelo, o comprimento dos braços.. diferentes. E quanto mais olhamos, maior o numero de detalhes que encontramos que aumentam a tensão. Contrário ao titulo, as gémeas não são idênticas, mas sim diferentes, e portanto cada uma com uma identidade própria!

Clarke continua no capítulo referindo Barthes e o ensaio "Camera Clara" e a visão deste sobre a leitura de imagens. "(...) ele identifica dois factores distintos no nosso relacionamento com a imagem. (...)studium sugere uma resposta passiva (...) mas punctum permite a formação de uma leitura crítica. Um detalhe na superfície perturba a unidade e estabilidade superficial, e como um corte, inicia um processo de abertura a uma analise crítica. Logo que encontramos o nosso punctum, tornamo-nos leitores activos da imagem. (...) O punctum permite-nos desconstruir, por assim dizer os [seus] termos de referencia, e alerta-nos para o facto que a fotografia reflecte o modo como vemos o mundo em termos culturais.

Procurar no nosso "punctum" (palavra estranha, né?) será efectivamente aquilo que nos permite fazer uma leitura crítica de uma imagem. Por vezes aquilo que nos pode parecer banal, correctamente contextualizado e lido, pode abrir a nossa visão para algo mais alargado, e a visão que se pretende ter da imagem à nossa frente. Mas isto também leva-me a pensar sobre o mesmo conceito, mas antes de produzir a imagem. Será que o fotografo consegue encontrar o "punctum" na cena que está a retratar de forma consciente? De continuamente o encontrar e o utilizar nas imagens que produz? Hmm...

2007-06-29

Go Skateboarding Day - Carlos Santos



Lembro-me de quando comecei a visitar o skatepark de Ovar, e nos vários eventos de skate na região, havia um fotografo constantemente presente, e que era o ovarense Carlos Santos. Durante esse tempo tornei-me amigo do Carlos, com o qual, mais que a fotografia, o skate é a maior ligação.

O Carlos tem estado muito activo na revitalização do parque de Ovar, e em conjunto com a organização do "Go Skateboarding Day" de Ovar, ele produziu uma exposição fotográfica, com alguns dos melhores e mais importantes momentos da vida do skatepark, que conta com imagens de importantes skaters do panorama nacional e internacional. É um registo importante do espaço e da cidade.

A exposição está presente no café/bar paralelo 38, e presente até ao dia 19 de Julho.

Through my eyes

Cartaz para a net

O meu colega José Carlos Nero abre uma nova expo, em Sesimbra, dia 7 de Julho, no Espaço Atlântico de Sesimbra. A exposição conta com cerca de 30 imagens dos últimos 4 anos e estará em amosta até ao dia 22 de Julho.

Segue uma pequena entrevista que efectuei ao Nero para este post:

"O que tem sido para ti a fotografia, nestes quatro anos?"

JCNero - Foi em 2004 que descobri esta grande paixão, foi como "nascer" outra vez. Desde então posso dizer que cada vez gosto mais de fotografar e que tenho uma enorme necessidade de o fazer. E o melhor de tudo é que sinto-me muito bem quando o faço!! Quando estou naquele ambiente é com se estivesse numa liberdade total. Enfim, adoro isto!!

"Grande parte do teu trabalho é ligado ao mar e à paisagem litoral. Porquê a escolha deste tema para as tuas imagens?"

JCNero - O mar sempre esteve presente em mim. Nasci numa terra de pescadores (Sesimbra) e a minha relação com o mar sempre foi constante. Transmite-me muita calma e muita serenidade. É este o poder que o mar tem em mim e de certa forma é isso que eu tento também transmitir ás pessoas quando vêem uma fotografia minha.

"Esse sentimento é a razão da escolha do P&B?"

JCNero - Pois… o P&B, é uma coisa difícil de explicar, apenas posso dizer que gosto muito desses tons monocromáticos, toca-me muito mais uma fotografia a p&b, identifico-me bastante, é muito mais intimista! O p&b transmite essa calma e serenidade bem melhor.

"Que pretendes com esta primeira exposição?"

JCNero - Pretendo dar a conhecer ás pessoas a minha maneira de ver tudo o que me rodeia, daí também o nome da exposição “Though my eyes”. Esta exposição é uma mostra de parte do meu trabalho desde o início desta minha grande paixão

"A expo marca o fecho de um ciclo para dar inicio a novo ciclo, ou pretendes aprofundar mais os temas em que te aplicaste nos últimos anos?"

JCNero - A exposição não marca o fecho de um ciclo. Antes pelo contrario, acho que vou aprofundar e desenvolver mais nos temas que tenho andado a fotografar. Claro que também tenho outros temas em mente, algo mais inovador, mas isso fica para uma, quem sabe, e outra expo...

Web: http://www.jcnero-fotografia.pt.vu/
Blog: http://jcnero.blogspot.com/

Reflectir.. sobre leilões fotográficos

O Sérgio Gomes, autor do blog Arte Photoraphica e um dos blogs fotográficos que sigo via RSS, colocou um post interessante sobre o fenómeno dos leilões fotográficos em Portugal, que passo a citar:

O crítico do semanário Expresso Jorge Calado escreve na última Actual (23 de Junho) um texto de reflexão sobre o fenómeno dos leilões de fotografia em Portugal. O professor de química do Técnico lamenta a escassa oferta no mercado (?) de fotografia em Portugal justificada pelo "desprezo" a que está votado o património. Para Calado, os três leilões já realizados pela Potássio Quatro demonstraram que existe por cá "não um, mas vários públicos para a fotografia", razão pela qual os lotes postos à venda são tão diversificados. Do lado das áreas com menos futuro, segundo Jorge Calado, estão as cartes-de-visite, monarquia, memorabilia e Estado Novo. Já os lotes históricos, os relacionados com África, o fotojornalismo e os livros estão em alta. O crítico refere-se depois à falácia das "edições limitadas" da imagem fotográfica e explica como, normalmente, esta manobra é usada como artifício para fazer subir a cotação de determinado autor.
Jorge Calado aponta a internacionalização como um dos aspectos mais positivos dos leilões da Potássio Quatro (mais de 50 por cento dos lotes foram para o estrangeiro) e sublinha a importância da venda do retrato de Fernando Pessoa (2º leilão, por 9775 euros) e do livro Lisboa: Cidade Triste e Alegre, de Victor Palla e Costa Martins (3º leilão, por 3047 euros).
E, por último, deixa esta pista:

“No mundo da fotografia, um dos desenvolvimentos recentes mais surpreendentes é a emergência da fotografia anónima e espontânea, dita vernácula. Já chegou ao museu e à galeria especializada. Se uma imagem é boa e desperta interesse é arte; se, além disso, for também um documento, tanto melhor; o resto é especulação financeira.”


E realemente me deixou a pensar. Senti necessidade de deixar um comment:

Há realmente dois pontos que menciona (citando o autor do texto que infelizmente n li) que me puxaram a reflectir...

1- "escassez de imagens". O (?) é mais que compreensível. Como é possível falar de escassez de imagem quando há tanta imagem a ser constantemente produzida? (Quase) Toda a gente sempre teve uma camera fotográfica e quase toda a gente continua a ter uma camera fotográfica (agora compactas digitais e telemóveis). É impossível falar de escassez de imagem. Se calhar foi retirada a menção a fotografia de qualidade, de processos antigos e/ou analógicos especificas (baseados em processos químicos clássicos), ou algum outro tipo de especificação... Será?

2- "o resto é especulação financeira" - esta frase sumariza muita coisa. Algo que sempre me passou pela cabeça quando via os catálogos da P4 era "mas quem é que quer isto". Talvez não estivesse concentrado ou curioso o suficiente para descobrir as imagens e sua importância (a imagem em si e não propriamente o seu suporte), grande parte do que via não suscitava grande interesse. Reconheço que peço por não conhecer a história da fotografia portuguesa, e isso pode representar uma das falhas.

Mas de qualquer forma fica a sensação que o comprador acaba por comprar a peça como um coleccionável, não necessariamente pela imagem que esta representada na fotografia nem o seu contexto histórico-cultural, que lhe interessa ou que toca directamente com a sua vivência, mas porque é uma fotografia de um determinado tipo, ou época, ou autor, qualquer que seja a imagem representada nela. Género se E.Weston tivesse fotografado uma pata de uma tartaruga, e um print muito mau se escapasse (totalmente desfocada, mal exposta, etc etc... que não tivesse leitura possível) será que vendia bem por ser um Weston, apesar de aquilo que continha nem o autor queria que alguém visse?

Consigo compreender e aceitar que isso é possível e até considero válido, como por exemplo um alunos ou adepto de fotografia que queira ter na sua colecção um elemento de cada processo fotográfico existente, para poder ver os resultados dos processos (como menciona o Jeff Curto nos seus podcasts de história da fotografia), mas este tipo de caso seria algo raro. Não justificaria tão grande procura.

Por outro lado há o aspecto de "autor morto". Como dizia um colega meu, Paulo Carrasco (www.paulocarrasco.com) "só vende bem obra de morto, por isso tira fotografias e depois morre :D". Será que é daí o interesse? O autor morto simplesmente é mais valioso? Não recordo com detalhe o conteúdo das ultimas edições dos leilões mas... quais as imagens mais recentes nesses leilões? Alguma coisa de impressões com base em imagens digitais? ou apenas processos "extintos". Há autores actualmente em acção, emergentes ou não, com obras no leilão? Há interesse do mercado nesse sentido? Ou prevê-se o surgimento desse interesse?

Enfim, arte é arte, há todo um mercado (estranho e que não compreendo) à volta dela, e por vezes (ou geralmente) o dinheiro movimenta interesses estranhos. Se calhar por estar mais virado mentalmente para o lado de produção da imagem, em vez do colecciona-lo e entender o coleccionar da imagem, a ideia de pessoas comprar imagens sem ser pelo interesse do seu conteúdo ainda não está bem entendida e portanto mal aceite. Espero um dia entender!


Talvez não faça muito sentido, mas será que faz?

2007-06-28

The Photograph

the-photograph

Ontem à noite passei algum tempo a ajudar o meu colega Victor Martins com um trabalho escolar. Como é habitual nos reencontros, há sempre um pequeno período de troca de novidades, nomeadamente os novos livros de fotografia que cada um tem. Ultimamente não tenho tido livros fotográficos novos para ler/ver. Ele, dado o curso que anda a frequentar, tem que ter novo material constantemente. Como é o caso do livro The Photograph: A Visual and Cultural History (Oxford History of Art) de Graham Clarke.

Não se trata de um livro de portfólio de autor, mas sim um ensaio sobre a fotografia e a forma como a analisamos e lemos uma imagem. O autor, na introdução, menciona como ele tenta, neste trabalho, aplicar um método de leitura de imagem em que qualquer fotografia se possa inserir. É uma leitura da imagem que ultrapassa o fotografo e as questões técnicas. "... something which, as part of our everyday lives, seems so obvious and simple, and yet is endlessly complex...". Lembro-me de ler algures uma frase que dizia (traduzida): "numa sociedade tão carregada de imagens e estímulos visuais, os novos analfabetos serão aqueles que não sabem nem ler texto nem ler uma imagem...".

Com tanta imagem a ser produzida hoje em dia, saber ler imagens, interpretá-las, é de elevada importância. Como fotógrafos, por vezes a nossa percepção da imagem é apenas a fotografia e aquilo que é mais técnico e estético da imagem (exposição, cores, composição). Por vezes esquecemos da leitura da sua inserção num contexto mais alargado. A leitura da imagem e não necessariamente do elemento físico da fotografia; do conteúdo e do seu significado em vez de o elemento físico e o seu suporte. ( Espero que isto faça sentido que é difícil por em palavras...). Espero que leitura deste livro me abra os olhos para uma leitura melhor de imagens!

2007-06-27

Direitos de autor

Há dois blogs que acompanho já há algum tempo e que me tem ensinado muito sobre a área de negócio da industria fotográfica. São eles o blog do Dan Heller e o do John Harrington (principalmente este e o livro dele). Tenho aprendido muito quer sobre a colocação do preço, quer de protecção, quer sobre o licenciamento (não é que aplico sempre correctamente o que aprendia mas...).

Entretanto hoje li o útlimo post no blog do fotografo Chase Jarvis sobre a sua batalha legal com a empresa desportiva K2, sobre o uso ilegal das suas imagens. Essencialmente, a empresa utilizou as imagens produzidas pelo fotografo fora do prazo estabelecido pelo licenciamento. Como não foi possível resolver a situação a bem, foi necessário usar os tribunais e felizmente o fotografo ganhou o caso.

O que há de comun em todos eles é a menção do registo das imagens, indicando como propriedade intelectual/artístico do autor. Apesar da legislação (também a portuguesa) assinalar automáticamente o copyright ao autor da imagem, sem o registo da imagem, torna-se muito difícil a defesa dos seus direitos. E foi graças à existência desse registo que o fotografo conseguiu levar o caso em frente.

Em Portugal, a instituição que resolve as questões de direito de autor é a SPA - Sociedade Portuguesa de Autores. Abrange todas as áreas artísticas, desde a música, ao cinema e artes plásticas, incluindo a fotografia. Segundo o FAQ:

"O registo oficial das obras é efectuado na IGAC (Inspecção Geral das Actividades Culturais - telf. 21 321 25 00). No entanto se o autor desejar ser representado pela SPA para a protecção das suas obras (elaboração de contratos, protecção jurídica, cobrança e pagamento de direitos de autor, controlo das obras etc.), deverá para o efeito proceder à sua inscrição nos nossos Serviços de Atendimento ao Autor."


A alternativa que existe é o Creative Commons, mas este é mais virado ao registo não comercial e não tem o apoio jurídico que a SPA oferece. Os sites da SPA e do IGAC merecem uma visita para obter a informação, estando os sites até bem completos a esse nível (mais que aquilo que esperava).

2007-06-26

Tiago Xavier



Hoje fiz algo que já não fazia há bastante tempo (a sério). Estive a ver sites de comunidades fotográficas! O que há sensivelmente um ano era o dia-a-dia, ultimamente tem sido uma raridade. Em tempos alguns sites simplesmente perderam o interesse. Basicamente passei a visitar apenas o Fotosensível, que é o meu site preferido a nível de comunidade.

Dois a que nunca liguei muito deixaram de existir - iso600 e fotografia-na.net; O 1000imagens continua igual, e o olhares parece ter evoluído em qualidade. Não estive neles muito tempo, mas dei uma vista de olhos sobre as galerias de retrato que digamos é o tema que prefiro ver. Foi nesta galeria que descobri o trabalho do Tiago.

Os retratos dele saltam logo à vista. Não é o típico retrato de rosto meio cândido que TODA A GENTE posta nos sites (não é que seja mau... mas enfim...). Há muito mais que isso nas imagens. E o trabalho de cor e luz é excelente - fez me recordar algumas coisas do Jean Baptiste Mondino (pelo menos o aspecto geral de algumas imagens no livro "Mondino"). O site deste freelancer residente em aveiro merece, sem dúvida, a visita e apreciação do trabalho.

http://www.tiagoxavier.com

2007-06-25

40º Aniversário da revista Photo!

photo440

Se há revista de que gosto e que recomendo vivamente a quem goste de fotografia, a primeira a mencionar é sem dúvida a revista PHOTO. A revista francesa dedicada a apresentar o melhor que se faz, quer a nível artístico, quer a nível profissional na fotografia, celebra este mês o seu 40º aniversário!

É a única revista que colecciono de forma dedicada. A primeira edição que comprei foi a 399 e desde a 4007 (Março 2004) que não falho uma edição. A edição mais antiga que tenho é a 119 de Agosto de 1977 (com trabalho de Bresson e Bourdin). A evolução da revista desde daquela altura é notória estando bem mais completa com as novidades das publicações e noticias das exposições. Além do mais conta com as entrevistas e alguma info do mercado, tudo elementos que faltavam nessa edição de '77. Mas mesmo assim a revista de então era uma delícia para a visão.

Adoro o formato e conteúdo da revista e considero-o o mais completo. Só tenho pena de estar em francês, pois não estou muito à vontade com a língua (se bem que consigo entender boa parte do que leio). Contém sempre info sobre exposições e sites de interesse, especialmente de fotógrafos a merecer destaque, lista de livros novos no mercado, artigos dedicados a fotógrafos e a tipos de imagem (sempre com imagens de topo, quer de qualidade quer de produção) e informação breve sobre compras e software e tutoriais (e basta). Os fotógrafos e os seus trabalhos que aparecem na revista tem sem dúvida o destaque e tratamento merecidos.

Esta edição especial tem na capa (e interior) a Natalia Vodianova, modelo muito destacado pela revista ao longo dos anos, e ainda tem: lista de 40 livros escolhidos pela revista (o que é sempre uma dor de ver pois há tantas que quer e tão poucas que posso comprar...), 40 imagens imagens/artigos sexy publicadas ao longo dos anos, os 40 sites web incontornáveis, 40 talentos com os seus 40 anos (mais ou menos) nas areas da moda, retrato, paisagem, jornalismo, natureza e artes (incluindo David Lachapelle, Terry Richardson, Marino Parisotto, Jill Greenberg, Denis Rouvre, Martin Schoeller, Philip Blenkinsop, Nina Berman, Guido Mocafico, Gregory Colbert, Tim Flach e muitos outros) e entrevistas a alguns dos peritos da área sobre a evolução da fotografia nas últimas 4 décadas. A não perder!

Para acabar, hoje quando fui ao quiosque da Torreira para comprar a revista (repare que tenho de andar uns belos quilómetros para conseguir obter a revista), comprei-o no dia em que chegou ao quiosque (tive sorte) e tive a sensação que pela primeira vez tinha falhado uma edição. Felizmente verifiquei, ao chegar a casa que era apenas impressão e que na realidade a última que eu tinha era efectivamente a de Maio, numero 439. Está "completo"!

Como são feitas as objectivas



Indicado pelo Paulo Carrasco e presente no strobist.

Utilizando a ferramenta Black and White do Photoshop CS3

Na leitura dos RSS de manhã encontrei no Art-nudes um post com um tutorial interessante de conversão para preto e branco usando a nova ferramenta black and white do Photoshop CS3. É bem mais eficiente que o método da desaturação ou memso o Channel Mixer (não é necessario ajustar as percentagens de modo a equilibrar nos 100%). E existe como camada de ajuste (adjustment layer)!

- Permite ajustar os tons em 6 gamas de cor (vermelhos, amarelos, verdes, cyans, azuis e magentas);
- Tem filtros de cor prédefinidos (como no channel mixer);
- Permite realizar a coloração do preto e branco;
e talvez o mais interessante:
-Permite ajustar os tons de um canal clicando e arastando directamente sobre a imagen, evitando o processo de adivinha de canal de cor associado!!!

Mais videos em photoshopsupport.com

2007-06-24

Vinhetagem em Photoshop

Cadeira-e-mesa01_450
Andei a brincar com uma imagem que tirei há já uns bons meses, mas que só agora scanei (até parece que ando numa de Winogrand a revelar meses depois de tirar :P ). Trabalhando a imagem, passei-o para preto e branco (usando o Channel Mixer com um filtro amarelo, por dar o toque que mais me interessava).

Por fim achei que lhe devia dar uma vinhetagem ligeira, que creio que reforça a imagem. Encontrei um pequeno tutorial interessante com um método em http://digital-photography-school.com/. É um processo simples:

- Cria uma selecção para a área da vinhetagem. Como a minha imagem é quadrada, criei uma selecção quadrada distanciado da margem 100 pixeis (dos 2500 da imagem).
- Entra no modo quickmask (Q). A selecção fica transparente e a área não seleccionada (externa) fica vermelha.
- Aplicar um Gaussian Blur, e manipular o valor para ter o gradiente desejado na área vermelha da máscara. Eu usei um valor na ordem dos 70.
- Remove o quickmask (Q). Deve ficar uma selecção quadrada de cantos redondos.
- Inverte a selecção (shift + ctrl + I).
- Aplica uma nova camada de ajuste de cor sólida preta. Altera a opacidade para o valor desejado (coloquei-o na ordem dos 70).

Et voilá. Simples e funcional

2007-06-23

A grelha das palhinhas

Um dos grandes problemas que sempre encontrei nos flashes compactos era a falta de acessórios. Softboxes, reflectores, grelhas.. nada disso é feito a pensar nos flashes compactos, ou pelo menos há muito poucos exemplos de produtos de qualidade nesse sentido. (Minha opinião).

Felizmente há sempre a alternativa - a mentalidade D.I.Y. (do it yourself). Nem sempre é fácil conceber o produto, e de uma forma apresentável. Mas volta e meia aparecem os génios que conseguem produzir muito do nada.

No blog do Strobist, quem acompanha já terá descoberto a solução do reflector e snoot. Se bem que não é propriamente novo (é comum usar Cinéfoil para produzir snoots), o método do cartão é de tão baixo custo que é de ficar parvo. E nos speedlights não há problemas de calor. para sombrinhas, já existem suportes apropriados, e para caixas de luz há soluções... o mais simples uma vulgar caixa de cartão.

Mas talvez o mais útil dos modificadores - a grelha - se apresenta como a mais difícil de reproduzir. grelhas comerciais são geralmente estruturas metálicas, resistentes a calor (as lâmpadas de modelação aquecem, e bem, a grelha!) e dimensionadas com precisão. Reproduzir a estrutura de favo de mel é uma tarefa nada fácil.

Não sendo a estrutura idêntica possível ou fazível, procura-se a aproximação - círculos! E que é fácil de usar para estruturar círculos na forma da grelha? Palhinhas! E assim se tem uma grelha de palhinhas, óptima para os speedlights. Como fazer? O blog do Rui Leal, fotografo português e também adepto do blog do Strobist explica o processo, passo a passo! A não perder!

Torrents e fotografia

Tal como o google, os Torrents são óptimas formas de encontrar informação, especialmente no formato de documentários. Aliás, diria que os documentários são a principal fonte de informação que retiro do formato... isso e umas series animadas (Samurai Jack e SouthPark).

Felizmente no último ano ou mais tenho conseguido encontrar alguns bons documentários sobre fotografia, ou arte no geral. As melhores, na minha opinião, são as que a PBS e a BBC produzem. Muita qualidade na produção dos programas. E a TV assim exige.

De tempo a tempo aparece uma ou outra ligada directamente a fotografia. Ainda hoje vi um sobre o David LaChapelle do Channel 5 (2002). Foi muito interessante ver o processo de trabalho do fotografo e da sua equipa, e muito fixe poder ver algumas imagens que já conhecia a serem criadas!

Portanto para o post de hoje decidi listar alguns dos Torrents que já obtive (alguns ainda não tive oportunidade de ver)

Documentário Biográfico (ou quase):
Portrait of a Photographer - David LaChapelle Channel 5, 2002;
Photographer-Annie Leibovitz-1993
Photographer-Sebastião Salgado–The Spectre of Hope-2000
Photographer - Man Ray - 1998
PBS - american Masters - Andy Warhol - 2 episódios
BBC - Power of art - série de 8 episódios documentando os grandes artistas como Caravaggio, Rembrandt e Picasso. Há uma versão legendada em PT.

Arte:
BBC - Design Rules - serie de 6 episódios muito bons sobre como melhorar o design interior, e explica de forma simplificada muitas das "regras" de design (e arte).
BBC - How art made the world - serie de 5 episódios (+1 de extras) sobre a história / desenvolvimento da arte.

Geral:
PBS - The War in Iraq, Through Photographers' Eyes

Alguns são tão "raros" (não há assim tanta gente a obter este tipo de vídeo ou a suporta-lo) que os tempos de obtenção são longos ou nulos... ou então sou eu que continuo com a ligação super lenta. Também, dado que alguns são reproduções de cassetes VHS gravadas da TV, a qualidade poderá não ser a esperada... Mas a espera vale a pena!

2007-06-22

Digitalizar Película

DiogoTX_01_450

Ontem o Go Skateboarding day em Ovar esteve 5 estrelas. Já não participava num dia de eventos assim há muito e soube muito bem. Praticamente não fotografei nada porque tava a curtir tanto andar ás voltas no skate. Esteve uma tarde excelente, mesmo óptimo para o evento! Parabens a todos que participaram e organizaram. Há muitas mais imagens do evento no blog do evento: http://gsdovar.blogspot.com

ANyway, gosto imenso de fotografar com película. Sei que não é o mais eficiente em muitas ocasiões, (nem o mais seguro) mas ainda sabe muito bem pegar numa Bronica ou Yashica ou mesmo a Holga pra mandar uns disparos. No domingo levei para o parque a Yashica, uma TLR, para disparar um rolo. Acabei por fazer uns retratos de alguns por lá.

Fiquei contente com algumas das imagens. A capacidade de reduzir a DOF nas médio formato é fabuloso. Se calhar é por isso que gosto tanto. Esta selectividade é muito útil. Também, a dimensão da película de médio formato é óptimo para digitalizar. Dá para sacar muito detalhe com uma digitalização a 1200DPi (dá uma imagem 2500x2500pixeis, aprox.)

Infelizmente, não é fácil digitaliza-los! Ou pelo menos ainda não acertei no workflow. Tenho uma Epson 4180 Photo, e estou a usar o software Epson Scan, que veio com o scanner.Gostaria imenso de usar o Silverfast. Até tenho uma cópia legal do software (versão SE distribuída noutros scanners da Epson), mas infelizmente não consigo activá-lo (actua como se de uma demo se tratasse). Não é que o Software da Epson seja mau, mas é muito automático - os crops são automáticos (o que é problemático com as imagens da Holga, pois muitas vezes uma sub-exposição e vinhetagens são consideradas espaçamento entre imagens e é impossível incluir as marcas da película - a numeração lateral), a exposição é automática, o controlo das cores é automático... É possível efectuar ajustes, mexendo nos level, curves e afins que o software disponibiliza, mas por alguma razão é tão esquisito.

Basicamente nos scans, preparo a imagem o mais próximo que consigo daquilo que quero e resolvo o resto no Photoshop. Geralmente aplico uma curva que abre os midtones tb, para clarear a imagem. Mas o tratamento da cor é o que complica tudo. A típica escolha do branco com os levels nem sempre funciona. Há grão e brancos impuros. Escolher o cinza é uma chatice tremenda... Se calhar ainda não interiorizei ou descobri o esquema correcto para o ajusto da cor, especialmente de película!

Se alguém tiver dicas, agradecia que deixasse nos comments, ou que me enviasse um mail! Gracias!

2007-06-20

Vista e cor... um problema?

No fim de semana decidi tentar calibrar, dentro do possível, o monitor do portátil que tenho, e que está com Vista. Escrevi "tentar" porque 1) o monitor é quase incalibrável (LCD e muda facilmente o contraste consoante o ponto de vista, infelizmente e 2) não encontrei os controlos de calibração do Adobe Gamma, que estava habituado a usar no desktop e 3) não tenho nenhum equipamento de calibração. Na verdade o único controlo que encontrei foi o da placa gráfica, no painel de controlo da NVidia.

De qualquer forma, tentei procurar informação sobre a calibração de cor no Vista, a ver onde encontraria o Gamma no meio daquilo e encontrei um artigo/post no Digital Outback Photo. Trata-se de um artigo publicado inicialmente no Cromix Newsletter #26 (escrito por Steve Upton) em que o autor apresenta informação sobre o tratamento de cor nos sistemas MS Windows (passado e presente). O artigo merece uma leitura atenta, especialmente se estiveres atento a questões de cor e calibração da cor no teu workflow de imagens.

Resumidamente, a Microsoft apresenta no novo S.O. um novo sistema de gestão de cor (CMS) - Windows Color System (WCS). O WCS vem substituir o CMS anterior - Image Color Management (ICM) e que era baseado em perfis ICC. O WCS tem sido desenvolvido pela Microsoft em parceria com a Canon. O WCS não é compatível com ICC (são estruturas de informação diferentes) mas é possível a conversão da informação. No Vista, ainda é possível usar perfis ICC desde que todos os perfis em uso são ICC. Caso contrario, WCS é usado e os ICCs são convertidos para a estrutura WCS. Mais, os perfis WCS podem ser embutidos nas estruturas do ICC. (Confusão, né?... Eu sei...) As conversões no WCS são calculadas "on the fly", sendo rápido e eficiente. Os perfis WCS também armazenam informação do ponto negro.

No entanto, apesar das vantagens que o WCS apresentaa (e estão listadas no artigo), há problemas associados... que aparentam ser mais do Vista do que própriamente do WCS. O primeiro que salta á vista no artigo é a dificuldade em carregar as curvas de calibração dos monitores. É um problema de conflitos de carregamento das Tabelas de consulta (lookup tables - LUT). O Windows sempre dependeu de aplicações externas para carregar esses dados (nos MAC é carregado no arranque desde o OS 8). Como tal, duas aplicações podem ter LUTs diferentes carregadas.

O segundo problema que chama a atenção é o "bug" da autorização. Se já usas ou usaste o Vista, é natural que tenhas ficado farto do contínuo pedido de autorização para efectuar uma tarefa administrativa. E quando isso acontece, o ecrã escurece. Pois é, esse escurecimento é algo que altera os perfis de cor carregados! Ou seja entras no Vista, carregas a calibração do monitor com uma aplicação externa, e 5 minutos depois num pedido de acção administrativa, a calibração é alterada na gráfica (para o escurecimento) e nunca é reposto... é facil perder confiança na calibração que tens, com o Vista. Felizmente é possivel eliminar a alteração desligando o UAC e o escurecimento do ecrã (ver: disable user account control uac the easy way on windows vista & make user account control uac stop blacking out the screen in windows vista )

Naturalmente o WCS parece interessante e um avanço no tratamento de cor no Windows. Mas os problemas que o Vista apresenta são problemáticos e até "corrigidos", poderá ser problemático usar o WCS eficientemente, especialmente a um nível profissional onde é necessário garantir precisão na côr. Mas convém ler o artigo completamente para ter a correcta percepção da questão da gestão da cor no Vista.

Agora já só falta calibrar o monitor....

2007-06-19

Desatenção, desleixo...

_DSC9343_450

O que não mencionei no post de ontem foi o quão mau saí fotograficamente,no domingo. Para já, saquei muito poucas fotos. Estava mais interessado em andar e ver andar que andar com a máquina na mão. É uma "mudança" que ás vezes apetece. E quando se está com a máquina, nestas condições, o desleixo aumenta, e os detalhes escapam.

Esta foto e a do post de ontem é exemplo... Dois bons toques, duas fotos relativamente fraquinhas. E porquê? Total desatenção aos detalhes.

Basicamente para as duas fotos, usei um esquema de duas luzes (em cross-lighting). Mas se olhares bem para as imagens, só há luz de uma fonte. Que aconteceu, perguntas? Desleixo e desatenção! Geralmente tenho os dois flashes (Metz 54Mz-4) na mochila, uma com sapata para a máquina e outra com a célula fotossensível montada (SCA 3083). Visto que tinha os dois flashes afastados, montei a ligação por rádio - transmissor na máquina, e receptores nos flashes. E se tiveres mais atento que eu a ler isto, já terás percebido o problema - receptor montado na sapata da célula....

A base da célula é visualmente idêntica às sapatas "normais" do flash e não tem qualquer contactos externos. Ao ligar a receptor ao flash nada acontece. Carrego no botão do teste do transmissor e o flash não dispara. Ver settings, botões de power, etc.. teste... nada. Aliás de vez em quando até disparava, aleatoriamente, porque o segundo flash também estava ligado e por vezes a célula disparava e por simpatia, em vez de ser por estar ligado ao receptor. Esquisito não é? Acredita que sim! Só detectei o erro quando olhei para a frente do flash e vi a janela da célula... e aí já era "tarde demais".

De qualquer forma, a desatenção do estado do equipamento (o acessório ligado a ele) comprometeu completamente a imagem ao nível da luz. Queria duas luzes, fiquei só com uma. A escolha da lente / composição também não foi a mais famosa. Tele na vertical neste corrimão funciona bem, ou a fisheye numa posição mais paralela ao obstáculo. Fica para a próxima.

E fica atento ao que fazes!